11.3.10

E ela resolveu morrer


Escreveu a carta de despedida na qual listou os grandes amigos, falou de familiares e das coisas que mais gostava. Fez o que mais a divertia e usou o perfume que lhe agradava. Estava feliz, leve e pronta. Vestiu uma calça confortável, soltou os cabelos e passou uma leve maquiagem. Meditou e encontrou a introspecção. Sussurrou ao vento a música que seu pai cantava quando ia dormir.

Pulsos, pescoço, coração e altura. Gilette, prédio e corda. Faltava apenas a flor.

Pela janela avistou galhos que refletiam as cores pastéis da estação: era outono. Respirando fundo, discou à floricultura:
- Olá, gostaria que vocês me entregassem uma rosa. Uma Rosa Negra.
- Senhora, só temos Rosas Vermelhas e Amarelas.
- Sabe me dizer onde eu posso encontrar uma dessas?
- Senhora, esse tipo de Rosa não existe.
- Ok. Obrigado então.

Com o insucesso, ela desistiu de morrer.
E foi pra aula.

5 comentários:

Juliet Ford disse...

Flores são indispensáveis. Sempre.

Du Camargo disse...

FODASTICO!!! CONCORDO COM JULIET!!!

José Vailen disse...

Elaaaaa desatinouuuuuu...

Luciana Pontes disse...

Hehehe muito bom!

Espiral Psicodélico disse...

É, mulher é cheia de caprichos e vontades até pra se matar. Se não for do nosso jeito, não rola! =P

Ótimo texto!